Sobre os noivos

Durante 08 anos ele estava ali. Do meu lado. Faltava só um olhar para o outro com outros olhos. E abaixo está a história de como eu olhei para ele com olhar de quem viu no melhor amigo, o melhor homem para decidir passar o resto da minha vida junto. 

Conheci ele através de um antigo namorado. Daniel era da sua sala no cursinho. Logo que vieram as primeiras confraternizações nos conhecemos. Ele solteiro, eu namorando. Ele animado e arrastando as asinhas por aí. Eu com minha asinha já presa. Carinhoso e atencioso como sempre foi, Daniel tornou-se rapidamente fazedor de mojitos, dupla de sinuca, companheiro dos anõezinhos e ombro amigo. Amigo não, amíssissimo. 

Minha asinha ficou livre. Faculdade começou. E Daniel ainda firme na minha vida. Passamos a visitar com frequência um ao outro no pátio das nossas faculdades. Daniel foi aluno do meu pai e ainda saiu com destaque acadêmico. Daniel prendeu a asa dele. E fico feliz em saber que ajudei. Gostava de ver ele feliz. 

Minha asinha prendeu novamente e a dele permanecia presa. Acabamos nos distanciando um pouco. A vida ficou corrida. A vida ficou difícil com os dois passarinhos com as respectivas asas presas. Mas não importava mais nada e o mundo parava quando um, finalmente vencia a vida, e ligava para o outro. Ainda éramos amigos. Ainda éramos ombro. Ainda gostávamos e queríamos ver o outro feliz.

Minha asinha se machucou. Ele me ajudou. Juntei minhas tralhas e me mudei para São Paulo. Ele apoiou e secretamente me confidenciou uma vontade de se mudar também. Mas ficou só na vontade mesmo. A distância fez a vida ficar ainda mais difícil. Mas ainda o chamava de "meu melhor amigo". E acredito que ele também. 

Acontece que um dia a asinha dele também ficou solta. E a minha, pelo destino, também não estava presa. A distância passou a não importar mais. Os telefonemas ocasionais, viraram constante mensagens de whatsapp. É claro que, a intenção, era apenas a de dois amigos retomarem uma grande amizade ha pouco esquecida. 

Músicas foram trocadas. Óbvio que eu acrescentei e muito a qualidade musical da biblioteca dele. Ele me ensinou a arte da vitrola (sim, porque ele ainda tem um iPod). Fotos de vinhos foram trocadas. Mas principalmente, surgiram conversas de bêbados.

Ah! Mas e se as pessoas tivessem acesso a estas conversas!

Foi com estas conversas que olhei, pela primeira vez, para meu melhor amigo e pensei: poxa! que cara sensacional! queria estar com ele tomando vinho e passando mais uma música das minhas playlists!

E aí, amigo, você que já leu até aqui sabe... JÁ ERA!

Apaixonei. Fui para a Ásia e pensava nele. Acordava com whatsapp dele. Queria contar tudo para ele. E não importa o que eu fizesse, o quanto eu tentasse esquecê-lo (afinal de contas ele era meu amigo) ele estava nos meus sonhos. Demorei um pouco para absorver a ideia. Afinal de contas, me prometi não me envolver mais. Tinha um plano sério e solitário de vida, que envolvia até produção independente!!

Mas paixão é isso aí, você não consegue escapar. E eu parei de resistir.

O clima estava no ar. E eu presunçosamente achei que ele também sentia.

Veio então a fatídica noite em que ele me convidou, assim que retornei da Ásia para um fondue na casa dele. Entendedores entenderão - nada rolou.

#chatiada; fui para casa.

E eu, que já tinha tomado mais de uma garrafa de vinho no jantar, fui tomar um Tylex para dormir (sentia muitas dores no joelho recém fraturado). Ariana que sou, inconformada e ansiosa, decidi mandar uma mensagem para deixar tudo claro: "... acho que estava afim de Você."

E o resto foi a história mais rápida e linda de AMOR que já vivi e terei o prazer de viver até o final das nossas vidas!

por Pequena